"Ideologia da planificação":
capítulo conclusivo da ideologia liberal
Luiz Recamán
Departamento de Arquitetura e Urbanismo - EESC - USP
Cibele Rizek
Departamento de Arquitetura e Urbanismo - EESC - USP
Analisar a "Ideologia da Planificação", conforme formulação do crítico Manfredo Tafuri (1935-1994), culminância da "dialética da racionalidade arquitetônica". Os projetos urbanos radicais do final dos anos vinte na Europa, principalmente os planos corbusianos para o Rio de Janeiro, Argel, Buenos Aires etc., antecipam as necessidades de planificação do capitalismo liberal em colapso a partir de 1929. A modernidade arquitetônica, "câmara de decantação das vanguardas", amplifica as aporias do fordismo, com seus movimentos de universalidade e "reprodutibilidade técnica". As novas estratégias de planejamento econômico e militar, deflagradas nos anos pré-segunda guerra mundial, tornaram obsoletas as tentativas de ordenação total do território, horizonte da "arquitetura radical". Suas conquistas formais e espaciais passam a configurar um "suporte marginal" às necessidades de desenvolvimento capitalista.