Arte e Cultura na era do Capitalismo Zumbi



Francisco Alambert
Departamento de História - FFLCH - USP

O Zumbi é uma criação do imaginário escravista colonial norte-americano, fantasia recriada pela culpa e pelo medo da revolta do dominado. Essa mitologia contemporânea surgiu a partir de uma fantasia baseada na religiosidade do Haiti e de outras partes do Caribe, locais de uma fantasmagoria histórica bastante concreta: a revolução dos escravos, o perigo dos “jacobinos negros”, etc. A grandeza política do filme de George Romero A noite dos mortos vivos, contemporâneo e parte da crítica radical de 1968, vinha exatamente da elaboração estética desta mitologia, agora transformada em uma alegoria do capitalismo .

De lá para cá, a alegoria do Zumbi se sedimentou como uma forma de criticar e descrever a condição do sujeito (ou de sua peculiar morte) na época do capitalismo globalizado, triunfante e desenfreado. Criar um panorama dessa alegoria e avaliar sua força para demonstrar a crise da cultura contemporânea é o objeto desta palestra.

Os materiais: os filmes recentes de George Romero (Terra dos mortos e Diário dos mortos) e os slasher movies (como Hostel, ambientado em ex-países soviéticos); os conceitos de “Zombi Capitalism” do economista Chris Harman, de “niilismo ultralógico”, de Mário Pedrosa, de “Homo Sacer”, de Giorgio Agamben e de “sociedade do espetáculo”, de Debord; a body art e as performances do artista australiano Stelarc e da francesa Orlan; a personagem “espetacular” de Michael Jackson.