Marx e a ironia do último Eça
José Carlos Siqueira
PPG em Literatura Portuguesa – FFLCH – USP
PPG em Literatura Portuguesa – FFLCH – USP
A radicalidade do jornalismo antiburguês de Eça de Queirós no final do século XIX já havia sido ressaltada por estudiosos como Antonio Candido, no Brasil, e João Medina, em Portugal. No entanto, além dos artigos em que sua crítica mais ferina fica explícita, nossas pesquisas têm demonstrado que o conjunto de sua produção jornalística sustenta um programa consciente de desvelamento da ideologia burguesa, no qual são utilizadas temáticas e estratégias literárias cuja sutileza e ironia por vezes escapam ao leitor apressado.
Com o apoio da hermenêutica desenvolvida por Dolf Oehler em seus estudos sobre a literatura de 1848 — em que estratégias como a ironia, a paródia, o satanismo, o dandismo, a reescrita literária de textos crítico-políticos, entre outras, são interpretadas como a forma assumida por uma literatura antiburguesa —, é possível também identificar no jornalismo eciano o uso de leituras de Marx e de uma série de recursos típicos da escrita de Baudelaire, Heine e Flaubert, sempre na direção do programa de crítica ao capitalismo mencionado acima. Com base em tais princípios, nossa conferência pretende apresentar algumas interpretações dos artigos mais instigantes de Eça escritos para o público brasileiro na década de 1890.
Com o apoio da hermenêutica desenvolvida por Dolf Oehler em seus estudos sobre a literatura de 1848 — em que estratégias como a ironia, a paródia, o satanismo, o dandismo, a reescrita literária de textos crítico-políticos, entre outras, são interpretadas como a forma assumida por uma literatura antiburguesa —, é possível também identificar no jornalismo eciano o uso de leituras de Marx e de uma série de recursos típicos da escrita de Baudelaire, Heine e Flaubert, sempre na direção do programa de crítica ao capitalismo mencionado acima. Com base em tais princípios, nossa conferência pretende apresentar algumas interpretações dos artigos mais instigantes de Eça escritos para o público brasileiro na década de 1890.