O efeito Beaubourg na perspectiva de Daniel Buren


Tiago Machado
PPG em História Social - FFLCH - USP

Em 1969, no ocaso do estado de bem-estar social francês, e no rescaldo das rebeliões e greves de 1968, o governo George Pompidou anuncia o projeto de construção de um ambicioso centro cultural, que anos mais tarde levaria o nome de seu idealizador. Apesar de contar com um espaço expositivo e acervo permanente (Musée National d’Art Moderne) o Beaubourg (o nome do Centro Pompidou e o nome do bairro onde se localiza se confunde) não pode ser enquadrado apenas nesta categoria. Antes parece acumular a função de um museu em um empreendimento muito mais vasto, que engloba a Biblioteque Publique d’Information, um centro de estudo de música (IRCAM), entre outras ações. Como o próprio nome revela, o Beaubourg é construído no intuito de ser um “centro” de práticas lúdico-culturais, fruto de um plano urbanístico integrado, inclusive do ponto de vista arquitetônico. Assim, a situação seria algo paradoxal: enquanto uma das pautas da cartilha do neoliberalismo ainda nascente reza pelo enxugamento dos gastos estatais, o propalado “ajuste estrutural”, o estado francês passa a aumentar daí em diante seus investimentos na construção de amplos centros culturais e novos museus. Mas o paradoxo não dura muito, pois, com acuidade e certa dose de cinismo o ministro de Mitterrand, Jack Lang, definiria: “A cultura é o nosso petróleo”.

Nossa intenção com a presente comunicação é mostrar como estas questões, principalmente aquelas vinculadas aos “novos museus” foram formalizadas em um momento da obra do artista plástico francês Daniel Buren, autor ligado aos desdobramentos neovanguardistas na França, conhecido como um dos principais expoentes da institutional critique. Para tanto analisaremos, através da leitura de seus escritos e da bibliografia sobre o tema, os desdobramentos e antecedentes de suas instalações no Centro George Pompidou em Paris, intituladas Les Couleurs: sculpture (1975-1977) e Les formes: peinture (1976-1978).