Cenas parisienses
Luiz Renato Martins
Departamento de Artes Plásticas, PPGAV - ECA - USP
O trabalho analisará as diferenças estruturais entre os retratos e cenas parisienses, pintadospor Manet, e aqueles feitos pela geração precedente (Daumier, Courbet), e ainda estabelecerá, de modo análogo, as diferenças frente à tradição dos séculos 17 e 18 (Hals, Vermeer, Watteau, Chardin).
Qual o sentido da inexpressividade, da dissociação e da inautenticidade tão recorrentes nos retratos de Manet? Não se tratam de retratos individuais, mas de uma forma objetiva, correspondente à nova posição do eu que marca, no relógio interno subjetivo, o ritmo geral da hora histórica na Paris do II Império, sob a reforma urbana de Haussmann. Constituem-se em fragmentos de uma nova teia social, resultante de uma nova ordem produtiva.
As subjetividades inexpressivas, neutras e flexíveis, delineadas por Manet, oferecem a visão das vias abstratas do mercado, abertas nos vazios e na conversibilidade potencial de cada um em ser-para-a-troca.