Autonomização e re-apropriação de forças
produtivas expressivas em Nashville,
de Robert Altman
Antonio Aleixo
PPG em Letras Modernas – FFLCH – USP
PPG em Letras Modernas – FFLCH – USP
Lançado em 1974, Nashville é um filme no qual Robert Altman faz um diagnóstico crítico de um dos momentos mais decisivos da história recente dos Estados Unidos, caracterizado por uma reestruturação da economia, da política e da cultura norte-americanas. O “descolamento” do dólar de sua base material, o ouro, efetuado pela equipe econômica do então presidente Richard Nixon, em 15 de agosto de 1971, “ajustou os relógios” do mercado mundial em um novo padrão de circulação: a moeda, a abstração do valor de uso e equivalente geral das mercadorias, passava a azeitar as trocas no comércio internacional sem o inconveniente da ancoragem material e lançava-o em um padrão de aceleração e crise. Este movimento de autonomização, de uma forma abstrata (a moeda) de sua base concreta (o padrão ouro), foi refletido na teoria e na produção artística. A própria indústria do cinema tratou de adaptar-se à lógica do tempo, renovando seu pacto com o capital financeiro e introduzindo as então recentes técnicas de marketing estratégico em sua estrutura produtiva.
Tomando como tema a indústria fonográfica na cidade de Nashville, à época em vias de se tornar a capital norte-americana da música (tornando-se, portanto, um atrativo especial para o capital financeiro), o filme reconstitui, em sua estrutura formal, o movimento geral de alienação de forças produtivas por que passava a sociedade, dissecando-o em todas as suas manifestações: do consumo alienado de espetáculos à alienação do discurso, da experiência política, do discurso crítico etc. Como o movimento de autonomização de formas e técnicas atingia também a produção cinematográfica, os artistas que trabalharam em Nashville tiveram de negar, com uma organização mais coletiva das tarefas no set, o movimento de alienação, retomando as forças produtivas alienadas de modo a viabilizar sua própria prática artística.
Em nossa apresentação, discutiremos o trabalho de “re-apropriação” de “forças produtivas expressivas” em Nashville, a partir da análise de algumas cenas-chave, nas quais esta “re-apropriação” se mostrou decisiva na constituição de formas mais adequadas ao tratamento do tema. Com isso, esperamos trazer à tona não apenas o legado estético do filme de Altman, mas também algumas lições políticas alcançadas na sua produção.
Tomando como tema a indústria fonográfica na cidade de Nashville, à época em vias de se tornar a capital norte-americana da música (tornando-se, portanto, um atrativo especial para o capital financeiro), o filme reconstitui, em sua estrutura formal, o movimento geral de alienação de forças produtivas por que passava a sociedade, dissecando-o em todas as suas manifestações: do consumo alienado de espetáculos à alienação do discurso, da experiência política, do discurso crítico etc. Como o movimento de autonomização de formas e técnicas atingia também a produção cinematográfica, os artistas que trabalharam em Nashville tiveram de negar, com uma organização mais coletiva das tarefas no set, o movimento de alienação, retomando as forças produtivas alienadas de modo a viabilizar sua própria prática artística.
Em nossa apresentação, discutiremos o trabalho de “re-apropriação” de “forças produtivas expressivas” em Nashville, a partir da análise de algumas cenas-chave, nas quais esta “re-apropriação” se mostrou decisiva na constituição de formas mais adequadas ao tratamento do tema. Com isso, esperamos trazer à tona não apenas o legado estético do filme de Altman, mas também algumas lições políticas alcançadas na sua produção.