Um corpo triste, feliz ou livre:
Nomeação e Reconhecimento
Maria Noemi de Araujo
Clínica Lacaniana de Atendimento
e Pesquisas em Psicanálise/ CLIPP
Corpo (2008), filme escrito e dirigido por Rossana Foglia e Rubens Rewald, desenvolve uma discussão sobre a identidade a partir da história do encontro de um cadáver não identificado e que não se deteriorou. Um jovem médico legista que deveria se ocupar da autópsia, passa a se indagar sobre sua identidade e sobre o motivo do corpo não haver deteriorado. Assim, ocorre nesse instante o encontro entre um sujeito e um objeto a inventariar e a sua rede de significantes (Lacan).
A escolha do filme se deve ao tipo de estranhamento que ele pôde provocar no público, semelhante ao do narrador diante de um cadáver singular, e ao fato de que ele foi lançado exatamente no momento histórico em que a questão da Anistia reapareceu no cenário político nacional.
Apostamos na idéia de que o laço social deste filme repete, de certa forma, o modo como o narrador foi constituindo o discurso entre os implicados, complicando-se em vez de desembaraçar-se pragmaticamente. Propomos articular a análise a partir do “resto” (Lacan) produzido no filme com o “resto” produzido pela política na sociedade de consumo, de um determinado tempo e lugar da globalização que teve como conseqüências o imperativo gozar e a consequente produção de um outro: o esqueça. Outras questões a serem abordadas circulam por entre os temas da articulação entre a narrativa do filme e a ausência de discurso do Estado diante dos “desaparecidos políticos”.
Nossa hipótese é que, ao contrário do que disse a crítica de cinema a respeito desta obra, podemos (tal como Paulo Arantes) ver em Corpo não uma metáfora, mas o primeiro filme a mostrar uma certa forma de degradação da sociedade contemporânea. A palestra irá dialogar com idéias vindas de Lacan, Freud, Graciela Brodsky e Axel Honneth.
A escolha do filme se deve ao tipo de estranhamento que ele pôde provocar no público, semelhante ao do narrador diante de um cadáver singular, e ao fato de que ele foi lançado exatamente no momento histórico em que a questão da Anistia reapareceu no cenário político nacional.
Apostamos na idéia de que o laço social deste filme repete, de certa forma, o modo como o narrador foi constituindo o discurso entre os implicados, complicando-se em vez de desembaraçar-se pragmaticamente. Propomos articular a análise a partir do “resto” (Lacan) produzido no filme com o “resto” produzido pela política na sociedade de consumo, de um determinado tempo e lugar da globalização que teve como conseqüências o imperativo gozar e a consequente produção de um outro: o esqueça. Outras questões a serem abordadas circulam por entre os temas da articulação entre a narrativa do filme e a ausência de discurso do Estado diante dos “desaparecidos políticos”.
Nossa hipótese é que, ao contrário do que disse a crítica de cinema a respeito desta obra, podemos (tal como Paulo Arantes) ver em Corpo não uma metáfora, mas o primeiro filme a mostrar uma certa forma de degradação da sociedade contemporânea. A palestra irá dialogar com idéias vindas de Lacan, Freud, Graciela Brodsky e Axel Honneth.