A vanguarda em suspenso:
Ad Reinhardt e o modernismo na pintura norte-americana


Tiago Machado

PPG em História Social - FFLCH - USP

Conhecido por seus famosos quadros negros, pintados nos anos da década de 1960, Ad Reinhardt ― contemporâneo de Jackson Pollock, Barnet Newman e Mark Rothko ― desenvolveu, ao longo de sua vida, uma obra escrita de volume considerável. Nela procurou justificar as suas opções de pesquisa estética, cuja última síntese pode ser entrevista no conceito de “Art-as-Art” [Arte-enquanto-Arte]. Nesta comunicação buscaremos remontar o contexto histórico destes escritos, com vistas a compreender a pertinência de tal conceito na produção artística da década de 1960 nos Estados Unidos. Para tanto buscaremos recuperar a recepção das pesquisas das vanguardas heróicas da primeira metade do século XX em sua relação com a arte moderna norte-americana, que configurou o que ficou conhecido como modernismo norte-americano. Em seguida, procuraremos esclarecer o contexto da exaustão do modernismo e seu modo próprio de compreender a práxis artística.

Pois, se, por um lado, a posição defendida por Ad Reinhardt, neste debate, pareceu, num primeiro momento, bastante idiossincrática, principalmente se considerarmos as definições mais estritas do que seria a arte de vanguarda, tal como expresso em autores como Peter Bürger ou Clement Greenberg, por outro lado, com o avanço da pesquisa, ficou claro que a racionalidade da definição de vanguarda mobilizada por Ad Reinhardt em seus escritos visou, sobretudo, o estabelecimento de um parâmetro que combatesse a rigidez de definições estritas, ao mesmo tempo em que procurou introduzir um esforço de atualização aos desafios da arte de vanguarda em um ambiente onde a forma autocrítica, desenvolvida como modo privilegiado de organização da pintura modernista, parecia se dissolver, como se faz notório no caso das pinturas de Rauschenberg, Andy Warhol e Jasper Johns, ou mesmo na aproximação do estatuto de monumentalidade com a qual a obra de Mark Rothko parece flertar.

Portanto, procuraremos mostrar que é a partir deste impasse que os escrito de Ad Reinhardt podem ser lidos com maior acuidade. Dito em poucas palavras, trata-se de sintetizar as principais linhas de força do desenvolvimento histórico da arte moderna nos Estados-Unidos que levaram Ad Reinhardt, no final na década de sessenta, a definir a arte de forma aparentemente tautológica.