A Fabricação de um Totem:
David, Freud e o Bonapartismo


Luiz Renato Martins
Dept. de Artes Visuais - ECA - USP

A FORMAÇÃO E A ESPADA
25/03/2011

A filiação de David à causa jacobina é indiscutível e o Marat (1793, Bruxelles, Museu Real de Belas-Artes) é uma "obra-prima", a primeira da arte moderna, segundo Baudelaire (1821-67). Mas a história muda e a pintura de David servirá também ao cesarismo e à tabuização do Estado pós-revolucionário. Qual o papel da arte e da imagem na nova situação, que é também a do assassinato da Revolução? Duplicidade, ambivalência, lugar do não dito, do impensado? Na polivalência da cena bonapartista do S. Bernardo (1800-1, Musée du château de Malmaison), imagem que é também a de um "imperativo categórico" encarnado, já reside o futuro de uma ilusão: o mito da modernização acelerada. Acompanharemos os desdobramentos da questão até o retrato do tirano no escritório das Tulherias (1811-2, Washington, NGA), enquanto moisés de um novo monoteísmo: o da administração totemizada.