Trotsky e os bonapartismos na América Latina


Luiz Roberto S. Lauand
Bacharel em C. Sociais - PUC-SP;
Edições Iskra, São Paulo

A FORMAÇÃO E A ESPADA
17/06/2011

O desenvolvimento do capitalismo latino-americano nos anos 1930 e, posteriormente, a emergência dos governos nacionalistas nos pós-guerras, marcada num segundo momento (anos 1960) pela influência da Revolução Cubana são temas já clássicos de uma vasta literatura.

Particularmente no período recente, marcado por um suposto retorno dos “governos progressistas”, se recolocaram na ordem do dia os debates e combates relegados àquelas épocas.

O objetivo da apresentação é tangenciar a questão partindo do diálogo com a elaboração de Trotsky sobre a América Latina. Sabe-se que, embora não fosse o objetivo do revolucionário russo, os seus últimos anos foram vividos no México, país que foi palco de uma revolução paradigmática e que nos anos 1930 vivia a experiência do governo Cárdenas.

Como subproduto deste acidente histórico, ainda que não tenha se constituído como a sua principal preocupação teórica, Trotsky produziu páginas importantes sobre a análise da experiência mexicana em particular e latino-americana em geral, o que permite, a nosso ver, adequar os parâmetros teóricos para a análise crítica das experiências atuais e realizar um balanço da literatura “clássica”.

Não seria desnecessário marcar que a elaboração de Trotsky sobre os bonapartismos latino-americanos, ainda que tenha presença indireta em um leque amplo de autores – por exemplo, no próprio Brasil – não foi ainda “legalizada” nos meios intelectuais.

O historiador Perry Anderson, em seu balanço da obra de Trotsky, afirmava que o seu pensamento foi insuperável quando da análise do bonapartismo alemão no início dos anos 1930. Consideramos, portanto, que é preciso buscar quais foram as suas contribuições originais no âmbito latino-americano e para a própria história do conceito.