Sobre a recepção da obra de Woody Allen
e o desmanche da noção de
gosto


Ana Paula Bianconcini Anjos
PPG em Letras Modernas - FFLCH - USP

Nos últimos anos, a obra de Woody Allen vem sendo analisada do ponto de vista pós-moderno. Em livrarias de todo o mundo, brotam análises sobre a vida e a obra do diretor. Em sua maioria, as análises buscam traçar um panorama da extensa obra do cineasta. Muitos vão para as referências filosóficas (Sander Lee, 2002), outros entendem a obra de Allen enquanto referência explícita a uma “sociedade sem classes”, típica do momento pós-moderno (Christopher Beach, 2002) como se os filmes de Allen corroborassem a falta de sentido e de significado (Sam Girgus, 2002). Apesar da volumosa quantidade de artigos e livros publicados recentemente sobre o diretor, a conclusão parece ser a mesma: depois de “Deconstructing Harry” (1997), a obra de Woody Allen entra em desmonte, sobretudo nos Estados Unidos. Todavia, a partir de “Match Point” (2005), o cineasta deixa Nova Iorque e vai à Europa.

Esta apresentação visa interpretar “Match Point” (2005) retomando momentos decisivos da carreira do cineasta, notadamente na representação da cultura – em especial, literatura, arquitetura e artes plásticas –, para mostrar que o desmanche não é da obra de Allen, mas de um certo gosto pós-moderno.